segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Livro faz sucesso ao listar arrependimentos de doentes terminais

CLÁUDIA COLLUCCI 
de São Paulo

Nada de desejos como pular de paraquedas ou visitar as pirâmides. Pessoas que estão prestes a morrer arrependem-se de ter trabalhado demais, não ter encontrado tempo para os amigos ou de ter deixado de viver a vida que, de fato, sonhavam.

Pelo menos é o que retrata a enfermeira australiana Bronnie Ware, especializada em cuidados paliativos, no livro "The Top Five Regrets of the Dying" ("Os Cinco Maiores Arrependimentos à Beira da Morte", em tradução livre).



Um texto sobre a obra, publicado no site do jornal "The Guardian", ficou entre os mais acessados na semana passada e repercutiu em vários países.

A maioria das histórias relatadas por Bronnie é de doentes terminais de câncer. Ela esteve ao lado deles nas últimas semanas que antecederam a morte.

A enfermeira diz que a lista de arrependimentos é grande, mas que preferiu se concentrar nos cinco mais comuns.

"As pessoas amadurecem muito quando precisam enfrentar a morte e experimentam uma série de emoções que inclui negação, medo, arrependimento e, em algum momento, aceitação."

Segundo ela, todos os pacientes que tratou "encontraram paz antes de partir".

Mas nem sempre é assim, diz a médica Maria Goretti Maciel, um das pioneiras em cuidados paliativos no Brasil.

"Na vida real, é muito menos hollywoodiano. As pessoas são como foram a vida toda. Não necessariamente se arrependem de coisas ou querem o perdão de alguém."

Goretti coordena a enfermaria de cuidados paliativos do Hospital do Servidor Estadual. A unidade tem dez leitos para doentes incuráveis. Ali, o tratamento visa diminuir o sofrimento físico, psicológico e espiritual.

"Temos pacientes que negam a própria condição [de incurável] até o fim. Outros retomam conflitos antigos de família. Alguns conseguem resolver, outros, não. Não existe uma regra", explica a psicóloga Paula Coube, que atua na enfermaria.

Para Goretti, é um desafio identificar os conflitos e lidar com eles. "Temos que conter a nossa própria angústia e ouvir o que vem dos doentes. Às vezes, é menos complexo do que a gente imagina."

Quando a pessoa manifesta o desejo de resgatar histórias de vida mal resolvidas, a equipe se empenha em ajudá-la. "Já houve por aqui vários encontros de filhos legítimos e ilegítimos, de mulheres e de amantes."

Para a oncologista Dalva Matsumoto, que dirige a unidade de cuidados paliativos do Hospital do Servidor Municipal, os brasileiros, em geral, têm mais dificuldade de encarar e aceitar a morte.

"Eles se agarram na esperança de milagre. Assim fica difícil aceitar a finitude e tirar prazer da vida que resta."

Leia aqui o texto publicado no site do Jornal "The Guardian"
 
Leia aqui as seis primeiras páginas do livro.
 
FONTE: Folha.com, 13/02/2012

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