quinta-feira, 13 de março de 2014

Programa de Internacionalização da Pós-Graduação coloca RS no mapa mundial

 



         O Programa de Internacionalização da Pós-Graduação, lançado no final de 2013 pelo Governo do Estado, via Fundação de Amparo à Pesquisa do Rio Grande do Sul (Fapergs), aumenta o intercâmbio de estudos e coloca o Estado em posição estratégica mundial na pesquisa científica e nos negócios. Criado para injetar recursos na ordem de R$ 4,9 milhões, o edital é considerado por gestores públicos, pesquisadores e professores como "elemento fundamental" de aproximação do Estado com o conhecimento, a cultura e os investimentos de outras nações.

        O programa, realizado em parceria com a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), é voltado a pesquisadores doutores estrangeiros e gaúchos. Serão apoiadas até 50 propostas, com valor máximo de R$ 98 mil cada, em um período de 12 meses. Os recursos provêm do orçamento da fundação. O resultado final foi divulgado no dia 28 de fevereiro no site da Fapergs (veja aqui). O edital deve ganhar uma segunda edição em outubro deste ano.

       O coordenador da Assessoria de Cooperação e Relações Internacionais do Governo do Estado, Tarson Nuñez, explica que, do ponto de vista dos negócios, a internacionalização é um mecanismo fundamental para o desenvolvimento do Estado. "Em todas as ações que o governo faz com outros países, levamos representantes das universidades gaúchas com o intuito de estabelecer relações bilaterais sólidas e permanentes". De acordo com Tarson, o Rio Grande do Sul tem relações estratégicas com Alemanha, França, Estados Unidos, Coreia do Sul, China e os países da América do Sul, especialmente, Argentina, Uruguai e Cuba.
       Do ponto de vista acadêmico, a diretora-presidente da Fapergs, Nádya Pesce da Silveira, avalia a chance de aumentar a vinda de pesquisadores de outros países como o grande avanço da proposta. Ela lembra que, para se enquadrar nas regras do edital, o candidato estrangeiro deve possuir título de doutor há pelo menos cinco anos: "Isso garante que a tarefa dos professores estrangeiros seja plenamente executada e que os estudantes de pós-graduação tenham acesso ao conhecimento ainda mais aprofundado. O foco é o duplo aprendizado: da língua e dos conteúdos".

Passo necessário 

       Residente há 12 anos no Brasil, o francês Nicolas Maillard, doutor em Informática e secretário de Relações Internacionais da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), considera a pós-graduação no exterior um passo necessário: "Não se consegue uma vaga em um concurso relevante sem uma experiência de doutorado internacional". Na opinião dele, a internacionalização em todos os níveis faz com que os representantes da comunidade tenham outro olhar sobre os valores e o conhecimento de vida.

      O engenheiro agrônomo Augusto Mussi Alvim, doutor em Economia e coordenador dos Programas de Pós-Graduação Stricto Sensu da Pró-Reitoria Acadêmica da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), vê no processo uma oportunidade de professores brasileiros e estrangeiros buscarem soluções conjuntas. "Este vínculo tem potencial de estímulo à inovação tecnológica, que, por sua vez, beneficia a geração de empregos, de renda e de fortalecimento do comércio exterior".

Benefícios

      Com a experiência de pós-doutorado na Universidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos, Nicolas Maillard acredita que "quanto mais avançada a mobilidade internacional do ciclo de estudos, mais diferencial profissional o estudante terá". Ele cita como os cinco principais benefícios o idioma, a rede de contatos, a visibilidade (econômica, acadêmica e política), os intercâmbios culturais e a integração regional (parceria entre países do mesmo continente).
      O agrônomo Gilmar Bettio Marodin, coordenador do Programa Pós-Graduação em Fitotecnia da UFRGS, é um incentivador de que seus alunos estudem no exterior. Ele fez doutorado sanduíche no México e, em 2010, realizou pesquisas durante um ano na Universidade de Bologna, na Itália. "Internacionalizar a pesquisa abre a cabeça para outras culturas, a possibilidade de enfrentar pressões, de conviver com outra língua, além da chance de se trabalhar em parceria com estrangeiros e pessoas mais experientes", declarou.

Texto: Gonçalo Valduga
Foto: Felipe Dalla Valle/Ascom PUCRS


 FONTE: FAPERGS, 13/03/2014

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