sexta-feira, 24 de março de 2017

Farmanguinhos prioriza ações contra a tuberculose

Pesquisadoras trabalhando na produção de medicamentos para tuberculose
Por: Alexandre Matos (Farmanguinhos/Fiocruz)

O Dia Mundial de Combate à Tuberculose será celebrado na próxima sexta-feira (24/3). A data foi criada em 1982 para chamar a atenção deste grave problema de saúde pública que, de acordo com dados do Ministério da Saúde, faz aproximadamente 70 mil novos casos anualmente no Brasil, causando cerca de 4,6 mil mortes em decorrência da doença. A situação é tão alarmante que o país é uma das 22 nações que, juntas, representam 80% do total de casos de tuberculose no mundo. Para enfrentar este cenário desafiador, o Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos/Fiocruz) desenvolve pesquisas para esta doença negligenciada e possui uma lista de medicamentos exclusivamente para esta enfermidade.

Além da Etionamida e da Isoniazida, Farmanguinhos possui o registro de duas formulações, ambas em Dose Fixa Combinada (DFC). O 2x1 é composto pela Isoniazida e Rifampicina. Já o 4x1 é assim chamado por reunir quatro princípios ativos em um único comprimido: Rifampicina+Isoniazida+Pirazinamida+Etambutol.

Por ser de longa duração (no mínimo seis meses), é grande o número de pacientes que abandonam o tratamento. Dessa forma, esse tipo de formulação em DFC é considerado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) o mais eficaz de combate à tuberculose. Isto porque a redução do número de comprimidos facilita a adesão ao tratamento. No caso do 4x1, por exemplo, o paciente precisa tomar apenas um comprimido em vez de quatro. Com isso, o medicamento permitirá melhor adesão e, consequentemente, a redução das taxas de abandono do tratamento, um dos principais problemas para eliminar a doença e causa do aparecimento das formas resistentes da enfermidade, mais difíceis de tratar.

A fabricação do 4x1 no Complexo Tecnológico de Medicamentos (CTM) de Farmanguinhos será possível graças a uma Parceria de Desenvolvimento Produtivo (PDP) assinada em 2011 com o laboratório indiano Lupin. No momento, a parceria se encontra na etapa de transferência de metodologia analítica e validação dos processos analíticos. A produção no Complexo Tecnológico de Medicamentos (CTM) de Farmanguinhos está prevista para 2018. Antes, no entanto, o laboratório indiano se compromete a abastecer o Sistema Único de Saúde (SUS) com este importante medicamento. Neste caso, a distribuição está prevista para o segundo semestre deste ano.

Para suprir uma carência de quatro décadas sem um fármaco verdadeiramente inovador contra a tuberculose, cientistas de diferentes áreas de Farmanguinhos vêm trabalhando em pesquisas exclusivamente para descobrir novos medicamentos, alternativas e estratégias para tratar a enfermidade.


Reposicionamento de fármacos

Um desses estudos é realizado a partir de reposicionamento de fármacos, ou seja, substâncias usadas para uma determinada doença, mas que podem ter ação em outras. “Neste caso, utilizamos um antimalárico para tuberculose. Esse medicamento potencializou a ação dos demais fármacos, eliminando qualquer resquício do bacilo causador da doença, atuando, inclusive, em bactérias multirresistentes. Isso é extremamente importante porque há pacientes totalmente resistentes aos fármacos utilizados no tratamento da tuberculose”, frisa o pesquisador Marcus Vinicius Nora de Souza, que lidera a equipe envolvida na investigação.

Segundo ele, foram realizados testes in vitro (em laboratório) e pré-clínicos (em animais). “Obtivemos resultados excelentes, o que motivou a pesquisa a ir para o estágio clínico (em humanos), no qual será testado em um primeiro momento em cinco pacientes. Estamos aguardando a aprovação do protocolo pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para iniciar os testes”, explicou.


Moléculas compostas

A equipe liderada pela pesquisadora Núbia Boechat utiliza α-cetoacílicos de isoniazida no processo de obtenção e uso dos compostos no tratamento de tuberculose. O objetivo é contornar as limitações do fármaco de referência, neste caso, a Isoniazida, e, com isso, obter melhor atividade terapêutica.

De acordo com Núbia Boechat, as moléculas da série apresentaram maior atividade do que todos os fármacos de primeira escolha utilizados atualmente contra a tuberculose. “Uma dessas substâncias foi, ainda, expressivamente menos hepatotóxica (tóxica ao fígado) do que a Isoniazida. Apresentou também maior atividade em cepas resistentes”, explica a pesquisadora.

O produto obtido foi sintetizado no laboratório em escala de multigramas, ressalta Núbia, e muitos testes da cadeia pré-clínica também já foram realizados. Segundo ela, está em andamento uma parceria para os testes em animais. “Os próximos passos compreendem algumas outras avaliações pré-clínicas, em diferentes modelos animais, a fim de verificar sua toxicidade aguda e crônica, bem como doses máximas toleradas, eficácia em modelo com infecção por Mycobacterium tuberculosis, além da avaliação da farmacocinética in vivo (em animais) das substâncias e ensaios de toxicidade em órgãos específicos”, explica a pesquisadora.


Resposta do próprio organismo

O Laboratório de Farmacologia Aplicada de Farmanguinhos atua na investigação de novos fármacos com atividade antimicrobiana e imunomoduladora na reação imune inata presente na infecção por Mycobacterium sp. Coordenado pela pesquisadora Maria das Graças Henriques, o grupo de pesquisa estuda tanto substâncias de origem natural ou sintética, assim como fármacos já conhecidos capazes de atuar como antimicrobianos e na imunomodulação.

Neste sentido, outro importante estudo busca alternativas terapêuticas e a identificação de novos alvos terapêuticos na resposta inflamatória envolvida na infecção por Mycobacterium sp. “Foram identificadas moléculas sintéticas e naturais com características inovadoras modulando a célula hospedeira, capazes de modular a formação de organelas celulares e fatores de transcrição nuclear, auxiliando na resolução da inflamação em adição a sua ação antimicrobiana. Estes estudos visam ao desenvolvimento de terapias adjuvantes da tuberculose com o objetivo da melhora dos sintomas e efeitos colaterais e com isso encurtar a duração do tratamento e prevenir recaídas”, explica Graça Henriques.

A cientista informa que os pesquisadores avaliam o potencial dos produtos como terapia coadjuvante e estudam o seu mecanismo de ação em uma abordagem multidisciplinar, reunindo estudos de química sintética e de produtos naturais, bem como de modelagem molecular, farmacologia, imunologia e microbiologia.

O projeto vem sendo realizado a partir de uma parceria entre Farmanguinhos (por meio do Laboratório de Farmacologia Aplicada) e o Centro de Desenvolvimento Tecnológico em Saúde (CDTS/Fiocruz). Conta ainda com colaborações de grupos de pesquisa do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), do Laboratório de Referência Nacional de Tuberculose da Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca (Ensp/Fiocruz), e do Instituto de Pesquisa de Doenças Infeciosas - Infectious Disease Research Institute (IDRI), de Seattle, nos Estados Unidos.

Fonte: Portal Fiocruz.

Tuberculose: pesquisa investiga os motivos para o abandono do tratamento

Por: Lucas Rocha (IOC/Fiocruz)

Desafios fundamentais no combate à tuberculose, o abandono e a baixa adesão ao tratamento podem abrir espaço para formas resistentes da doença, que não respondem aos antibióticos disponíveis. Pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) realizam um estudo para observar como pacientes e familiares interpretam a doença, o tratamento – que dura no mínimo seis meses – e a cura. O local escolhido é a comunidade da Rocinha, na Zona Sul do Rio de Janeiro, que, além de ser uma das mais populosas do mundo, apresenta alta prevalência de tuberculose no município. Resultados parciais do estudo foram apresentados pelo pesquisador Márcio Luiz Mello, do Laboratório de Inovações em Terapias, Ensino e Bioprodutos do IOC, em maio, durante o Congresso Internacional de Investigação Qualitativa, realizado na Universidade de Illinois, em Urbana-Champaign, nos Estados Unidos. A expectativa é de que a pesquisa colabore para a formulação de estratégias para aperfeiçoar os índices de adesão ao tratamento.

Elaborado a partir de entrevistas com pacientes em tratamento, todos moradores da Rocinha, o estudo considerou contextos socioculturais, valores e crenças. “Foi possível compreender percepções individuais sobre a tuberculose, assim como as principais dificuldades atribuídas ao enfrentamento do agravo”, explicou Mello. De acordo com a análise, que, nesta etapa, ouviu seis pacientes, a doença é vista como cotidiana e comum. Essa banalização contribui para a demora na busca por diagnóstico, dificultando o início do tratamento, considerado cansativo pelos pacientes.

Já no que se refere ao abandono do tratamento, as justificativas apontadas pelos entrevistados incluem a dificuldade para conciliar a rotina de trabalho, os efeitos colaterais dos remédios e a longa duração do tratamento. Outro problema mencionado foi a suspensão da medicação, sem recomendação médica, no momento em que o quadro clínico apresenta melhoras. Os resultados apontam, ainda, que os pacientes associam a doença fortemente ao estigma. Dentre os relatos, há casos de indivíduos que esconderam o diagnóstico de familiares e de colegas de trabalho por medo de sofrer rejeição. “As atitudes de segregação podem levar as pessoas com tuberculose a se afastar de ambientes onde, até então, elas se sentiam confortáveis, como o local de trabalho, por exemplo”, explicou Mello. “Conhecer a interpretação que pessoas com diferentes vivências têm da doença é fundamental”, destacou.

O estudo faz parte de um projeto de pesquisa financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ), que investiga os motivos para o abandono do tratamento. No projeto, os pesquisadores desenvolvem propostas de atividades educativas com pacientes e familiares, e de materiais informativos que estimulem a desmistificação da doença e a promoção da saúde. A iniciativa é coordenada por Anna Cristina Calçada Carvalho, pesquisadora do Laboratório de Inovações em Terapias, Ensino e Bioprodutos do IOC.

Saiba mais
Doença contagiosa provocada pela micobactéria Mycobacterium tuberculosis, a tuberculose é transmitida pelas vias aéreas e se dispersa com maior facilidade em ambientes pequenos e com pouca ventilação – característica comum nas construções desordenadas das grandes cidades. Dentre os principais sintomas estão a tosse (com ou sem secreção) por mais de três semanas, perda de peso, febre baixa, suor noturno, cansaço e falta de apetite. No Brasil, a cada ano, são notificados aproximadamente 70 mil novos casos e 4,6 mil mortes em decorrência da doença, segundo dados do Ministério da Saúde. Em 2015, a cidade do Rio de Janeiro registrou uma das maiores taxas de incidência entre as capitais. O cálculo, feito para cada 100 mil habitantes, mostrou uma incidência de 66,8 novos casos – superando a média do país, que foi de 30,9 casos, no mesmo ano. O tratamento está disponível gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS).

Fonte: Portal Fiocruz.

quarta-feira, 22 de março de 2017

Dia Mundial da Água

O objetivo desse dia é promover a conscientização sobre a relevância da água p/ a saúde e sobrevivência do planeta.



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Fonte: Disponível em: http://www.brasil.gov.br/saude Acesso em: 22/03/17

terça-feira, 21 de março de 2017

Ministério da Saúde atualiza casos notificados de febre amarela no país

Os casos envolvem, principalmente, a região Sudeste e são de residentes em zonas rurais ou que tiveram contato com áreas silvestres por motivos de trabalho ou lazer


O Ministério da Saúde atualizou as informações repassadas pelas secretarias estaduais de saúde sobre a situação da febre amarela no país. Até esta sexta-feira (17), foram confirmados 448 casos da doença. Ao todo, foram notificados 1.561 casos suspeitos, sendo que 850 permanecem em investigação e 263 foram descartados. Dos 264 óbitos notificados, 144 foram confirmados, 110 ainda são investigados e 10 foram descartados.

Confira também:



A vacinação de rotina para febre amarela é ofertada em 19 estados (Acre, Amazonas, Amapá, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins, Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Bahia, Maranhão, Piauí, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina) com recomendação para imunização. Vale destacar que na Bahia, Piauí, São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, a vacinação não ocorre em todos os municípios. Além das áreas com recomendação, neste momento, também está sendo vacinada de forma escalonada a população do Rio de Janeiro e Espírito Santo. Todas as pessoas que vivem nesses locais devem tomar duas doses da vacina ao longo da vida.

Desde o início deste ano, o Ministério da Saúde tem enviado doses extras da vacina contra a febre amarela aos estados que estão registrando casos suspeitos da doença, além de outros localizados na divisa com áreas que tenham notificado casos. No total, 17,49 milhões de doses extras foram enviadas para cinco estados: Minas Gerais (7,5 milhões), São Paulo (3,58 milhões), Espírito Santo (3,45 milhões), Rio de Janeiro (2,05 milhão) e Bahia (900 mil). O quantitativo é um adicional às doses de rotina do Calendário Nacional de Vacinação, enviadas mensalmente aos estados.

Além disso, foram distribuídas, desde janeiro deste ano, 3,6 milhões doses da vacina de rotina para todas as unidades da federação. Outras 224 mil doses foram enviadas para intensificar ações nos estados do Mato Grosso do Sul, Goiás, Rio Grande do Sul, Piauí, Pará, Paraíba e DF.

Atualmente, 254 municípios dos cinco estados prioritários (SP, MG, ES, RJ e BA) com intensificação de vacina estão com cobertura vacinal acima de 95%. Em 2016, esse número era de apenas 58 municípios, um crescimento de mais de 300%. Apenas no estado de Minas Gerais foram 189 municípios com cobertura acima de 95%, em contraposição aos 25 no ano passado. É importante destacar que as atuais coberturas vacinais são preliminares, uma vez já que estados e municípios priorizam ações de vacinação.


REFORÇO – O Ministério da Saúde adquiriu cerca de 12 milhões de doses da vacina para febre amarela para entregas até o fim de março. O quantitativo vai reforçar o estoque estratégico da pasta e atender a demanda do país. Deste total, 8,46 milhões foram produzidas por Fiocruz/Bio-Manguinhos (subordinada ao Ministério) e outras 3,5 milhões serão enviadas pelo Grupo de Coordenação Internacional (GCI).

O CGI é composto por quatro agências: Organização Mundial da Saúde (OMS), Federação Internacional da Cruz Vermelha e Sociedades do Crescente Vermelho (IFRC), Médicos Sem Fronteiras (MSF) e Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), com secretariado da Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS).

Devido ao surto atual registrado em algumas regiões de mata, principalmente na região Sudeste, o Ministério da Saúde elabora um plano estratégico para garantir a aquisição de 70 milhões de doses da vacina junto à Bio-Manguinhos, garantindo o abastecimento durante todo o ano. Após a interrupção da transmissão nas regiões afetadas, a pasta vai revisar a área de recomendação de vacinação, bem como a mudança do calendário Nacional de Vacinação.


AÇÕES – Para incentivar a vacinação, foram liberados R$ 13,8 milhões para 256 municípios prioritários dos cinco estados com mais casos (MG, ES, RJ, SP e BA). Isso representa uma população estimada de 8,6 milhões de pessoas. Além disso, o ministério adiantou 40% dos R$ 40 milhões de recursos da vigilância em Saúde. Esses R$ 26,3 milhões serão aplicados em ações de prevenção na área de vigilância para a febre amarela em todo o país. Minas Gerais recebeu também a repasse de R$ 7,4 milhões correspondente ao Bloco de Atenção de Média e Alta Complexidade para cobertura de despesas emergenciais com ações de saúde durante três meses.

Outra frente de apoio do governo federal aos estados é o envio de equipes multidisciplinares de vigilância nos municípios mais afetados, nos estados de MG e ES. Essas equipes atuam desde o início das notificações dos casos na investigação domiciliar dos casos notificados com pacientes ou familiares e auxiliam na capacitação de equipes municipais para investigação dos casos. Esses técnicos do ministério também ajudam na intensificação das ações de controle vetorial e no monitoramento dos macacos nas regiões afetadas. O Ministério da Saúde também enviou equipes da Força Nacional do SUS para auxiliar no atendimento aos pacientes com suspeitas de febre amarela em Minas Gerais.


ANÁLISE DE MACACOS MORTOS - Sobre os estudos do IEC (Instituto Evandro Chagas) e da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) relacionados às análises de macacos mortos de outubro de 2016 na capital fluminense, o Ministério da Saúde informa que os estudos estão em análise e diferem nas amostras e métodos utilizados. Qualquer um dos resultados, no entanto, não interfere na estratégia adotada pelas secretarias de Estado e do município do Rio de Janeiro, com apoio do Ministério de Saúde. Afinal, não há evidência de circulação do vírus da febre amarela na cidade do Rio de Janeiro. As amostras são de outubro de 2016 e, de lá para cá, não houve casos de febre amarela entre humanos nem outros casos de mortes de primatas não humanos (PNH) na capital fluminense. Ainda, vem sendo realizado a análise de mosquitos e nenhum deles apresentou o vírus.

A ação, portanto, permanece a mesma, com o objetivo da ação conjunta do Ministério da Saúde, Estado e municípios de vacinar toda a população fluminense, sendo, na primeira etapa, 55 municípios prioritários para vacinação. Para isso, já foram enviadas 2,05 milhões de doses.

O Estado, em articulação com o Ministério da Saúde, será responsável pela organização do fluxo de vacinação e definição do cronograma dos demais municípios do estado. É importante ressaltar que as pessoas que não vivem ou não irão viajar para as cidades prioritárias, não devem buscar a vacina neste momento. A estratégia visa garantir o abastecimento e a vacinação da população que reside ou viaja para as áreas de risco.






Fonte: Blog da Saúde.


Síndrome de Down: as surpresas de um cromossomo a mais


No dia em que se comemora o Dia Internacional da Síndrome de Down, 21 de março, entenda sobre a síndrome do cromossomo de número 21. No Brasil, vivem aproximadamente 270 mil pessoas com Síndrome de Down.
O corpo de cada pessoa é formado por células. E dentro delas existem os cromossomos, que trazem informações como a cor dos olhos, do cabelo, cor da pele, entre outras características. São eles também que nos fazem parecer com nossos pais, tios ou avós, pois carregam as características que herdamos da família. Algumas pessoas possuem um cromossomo a mais, que é conhecido como trissomia. Existem diversos tipos de trissomia, uma delas é do cromossomo de número 21, também conhecida como Síndrome de Down, que diferente do que muitos pensam, não é uma doença.
O nome homenageia o médico John Langdon Down, o primeiro pesquisador a escrever sobre os sinais e sintomas da síndrome. A Síndrome de Down é uma forma de estar no mundo, o que demonstra a diversidade humana. Uma das principais descobertas do médico é que qualquer mulher pode dar a luz a um bebê com essas caraterísticas e que não há interferências externas.
A aparência daqueles que tem a “trissomia do 21” é bem peculiar: os cabelos são lisos e finos, os olhos são puxados, o nariz é pequeno e achatado, entre outras caraterísticas físicas. Foi assim que a relações públicas Tatiana Mares descobriu que o filho Augusto tem Síndrome de Down.
“Eu só fiquei sabendo três dias depois do nascimento. Eu via que ele tinha alguma diferença, que eu não conseguia lembrar o que era. Meu marido e meus pais pareciam que queriam me contar algo, mas não contavam. Pra mim não importava o que ele tinha. Mas no meio da noite, depois de tanto pensar, eu liguei pra minha irmã que é médica. Ela pediu pra eu descrever o Augusto, foi perguntando e eu respondendo. Ai ela disse: ‘Tatiana, ele tem Síndrome de Down’”.

Ouça reportagens da Rádio Web Saúde: Mitos e Verdades sobre a Síndrome de Down:

Assim como qualquer indivíduo com ou sem deficiências, pessoas com Síndrome de Down podem ter algumas dificuldades e estão suscetíveis a doenças. Sendo assim, todos precisam de cuidados básicos de saúde, como qualquer outro indivíduo. No entanto, além dos cuidados básicos, as pessoas com Síndrome de Down precisam de um acompanhamento mais atendo dos profissionais de saúde, pois elas estão mais propensas a desenvolverem problemas de saúde, como catarata, perda de audição e alterações cardíacas. Os bebês também são mais molinhos, pois tem os músculos mais flácidos. Por isso podem demorar um pouco mais para engatinhar, andar e falar.  Mas, isso não é uma regra para todos e nem quer dizer que a pessoa com Síndrome de Down seja menos capaz do que outras. Eles podem fazer tudo normalmente: brincar, estudar, trabalhar, namorar. E tudo pode ficar mais fácil com a ajuda de um conjunto de profissionais de saúde, de educação e, sobretudo, da família. O Augusto tem hoje 16 anos, e com acompanhamento de fonoaudiólogos, ele conseguiu desenvolver bem a comunicação, embora apresente dificuldades com a fala. O que não preocupa a mãe. “Ele não fala através das palavras, mas ele se comunica muito bem. Todos entendem o que ele quer dizer”. Além disso, o adolescente desenvolveu muito bem outras habilidades. Augusto é faixa roxa no judô, está aprendendo com êxito a tocar violão, e tem se arriscado na vida de artista plástico, expondo desenhos característicos dele. Parte deles já foi exposta duas vezes no Senado Federal, em Brasília. E há planos e material inédito para uma terceira exposição.

Estímulo e Oportunidade
Diferente de outras síndromes, como a Síndrome de
Monglin, por exemplo, a Síndrome de Down não tem graus de comprometimento. E para que a pessoa com Síndrome de Down possa desenvolver ao máximo suas potencialidades, como foi dito, é de grande importância o envolvimento e o apoio da família. Mas ela não precisa estar sozinha. É importante que esse cuidado seja compartilhado com uma equipe multiprofissional. O Ministério da Saúde tem investido nos últimos anos para ampliar a rede de reabilitação no Sistema Único de Saúde (SUS).  Atualmente são 187 Centros Especializados em Reabilitação (CER) habilitados que contam com equipe multiprofissional composta por fisioterapeutas, fonoaudiólogos, psicólogos, terapeutas ocupacionais, médicos, entre outros profissionais. Nos CER, a atenção ambulatorial especializada em reabilitação realiza diagnóstico e tratamento. Estes serviços ofertam atendimento em reabilitação nas modalidades auditiva, física, intelectual e/ou visual. No SUS, são mais de 1,5 mil serviços de reabilitação em todo país.
Para a coordenadora de um desses serviços de reabilitação, Nadja Quadros, que também é mãe de uma menina com Síndrome de Down, além de garantir a saúde dos pacientes, os serviços de reabilitação buscam preparar as pessoas com Síndrome de Down, ou qualquer deficiência, para a vida. “Muitos já olham para a pessoa com deficiência e já acham que ela é um incapaz. Hoje a gente luta para que a sociedade entenda que a deficiência não é só uma limitação, uma dificuldade, mas também é uma barreira social. A partir do momento que você dá estímulo e oportunidade, eles podem se desenvolver plenamente”.
A estimulação pode e deve acontecer em qualquer idade, mas se feita precocemente, as conquistas também podem vir mais cedo e com mais êxito. Quando ainda são bebês, os cuidados são bem parecidos aos de um recém-nascido que não tenha a Síndrome. São vacinas e exames, só que com um pouco mais de estimulação de fala e movimentos. Segundo a Cartilha “Cuidados de Saúde às Pessoas Com Síndrome de Down” , lançada pelo Ministério da Saúde, todas as crianças com essa Síndrome devem ser orientadas a fazer tudo o que puderem sozinhas, devem ter uma alimentação saudável, praticar atividade física e manter acompanhamento periódicos pelos profissionais de saúde.
O SUS conta com uma rede de serviços de reabilitação para o atendimento à pessoa com deficiência. Portanto, pessoas com Síndrome de Down contam com uma rede de serviços de reabilitação que ofertam cuidado integral e assistência multiprofissional e interdisciplinar. “A gente tem os serviços especializados em reabilitação. Uma rede com o mais de 1.550 serviços, mas de centros especializados são 187 hoje no Brasil”, conta a coordenadora Geral de Saúde da Pessoa com Deficiência do Ministério da Saúde, Odília Brigido. Ela reforça que todo centro habilitado pelo Ministério da Saúde também recebe recursos para a capacitação das equipes para que elas consigam atender ainda melhor as necessidades desse público e de suas famílias. “Isso para que eles tenham um olhar mais sensibilizado com essas pessoas que é diferente de você ter um olhar piedoso”.
No Brasil, de acordo com o Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE,  vivem aproximadamente 270 mil pessoas com Síndrome de Down. Todos eles, como qualquer cidadão, têm todos os direitos assegurados, incluindo o acesso à saúde, à educação, ao desenvolvimento social e ao trabalho. Assim como o jovem Augusto, outras pessoas com a Síndrome de Down também podem surpreender com suas qualidades e habilidades. “E pra mim não importa o que ele sabe ou não fazer. Pra mim o que importa é ele conseguir se virar sozinho, ser dependente caso precise, e o mais importante, que ele seja feliz”, diz a mãe Tatiana.
Erika Braz, para o Blog da Saúde

Fonte: Blog da Saúde.

segunda-feira, 20 de março de 2017

Wiley promove webinar sobre publicação de artigos em revistas científicas

A Wiley – editora que compõe o acervo do Portal de Periódicos da CAPES – irá realizar, no dia 22/03 (quarta-feira), um seminário online sobre como publicar artigos em revistas científicas, voltado principalmente para novos pesquisadores. A conferência é gratuita e aberta à comunidade acadêmica. Para participar, é necessário solicitar inscrição por meio de formulário online.


A apresentação será conduzida pelos editores especialistas Costas Agalou e Serena Tan. A partir do webinar, pesquisadores que pretendem publicar artigos científicos vão ser direcionados para algumas reflexões: como escrever e enviar o trabalho; como é feito o processo de revisão por pares; como escolher o periódico certo para cada artigo; e como maximizar o impacto da pesquisa.

O seminário online da Wiley é gratuito e terá início às 13h. Após a exposição do tema, os participantes poderão enviar seus questionamentos para os palestrantes.

Wiley no Portal de Periódicos
Os usuários do Portal de Periódicos têm acesso à Wiley Online Library, que oferece mais de 1.500 periódicos em texto completo nas áreas das Ciências Biológicas, Saúde, Exatas e da Terra, Agrárias, Sociais Aplicadas, Humanas, Linguística, Letras e Artes. A disponibilidade do acervo varia de 1997 até o corrente ano. O acesso ao conteúdo pode ser feito a partir da opção Buscar base ou individualmente, por cada publicação, na opção Buscar periódico.

Wiley Author Webinars
Introduction to Publishing for Early Career Researches in Latin America
22/03/2017, às 13h
Alice Oliveira dos Santos

Fonte: Portal CAPES.

quarta-feira, 15 de março de 2017

Biblioteca altera horário



A Biblioteca informa que estará atendendo em horário reduzido hoje (15/03/17).

Biblioteca - 7h30 às 19h
Sala 618  - 10h às 19h

Motivo: Paralisação dos servidores técnico-administrativos em apoio a mobilização contra a reforma da previdência.

terça-feira, 14 de março de 2017

Acordo do Ministério da Saúde com CVV garantirá ligações gratuitas ao serviço

Pessoas que sofrem com ansiedade, depressão ou com risco de suicídio poderão ligar de graça, em todo o Brasil, pelo telefone 188

Um acordo de Cooperação Técnica do Ministério da Saúde com o Centro de Valorização da Vida (CVV) vai permitir o acesso gratuito ao serviço telefônico oferecido pela instituição. Pessoas que sofrem de ansiedade, depressão ou, até mesmo, aquelas com risco de suicídio, poderão conversar com os voluntários da instituição por meio de um novo telefone. O acordo foi anunciado nesta sexta-feira (10) pelo ministro da Saúde, Ricardo Barros, em visita à instituição em São Paulo. 

Com o acordo, o CVV vai alterar ou implantar em todos os estados brasileiros, até abril de 2020, a ligação gratuita por meio do número 188. Atualmente, quem precisa do serviço tem de pagar pela ligação pelo número 141, que não será mais usado tão logo os estados forem implantando a chamada 188.

“O trabalho dos dois mil voluntários que dedicam o seu tempo na instituição é muito importante. É um voluntariado muito efetivo, com resultados muito positivos. O Ministério da Saúde vai continuar apoiando o CVV para que possam ampliar de forma significativa o acesso de pessoas a esse apoio emocional em momentos de angústias”, destacou o ministro da Saúde, Ricardo Barros.

A ideia da ligação gratuita para salvar vidas começou a ser implantada em 2015 no município de Santa Maria (RS), por meio de projeto piloto do CVV e do Ministério da Saúde, após o incêndio na Boate Kiss. O CVV é uma entidade que atua na prevenção ao suicídio há 55 anos. Possui mais de dois mil voluntários em 71 postos de atendimento em quase todo o país, exceto Roraima, Amazonas, Mato Grosso do Sul, Maranhão e Rondônia.

Com o termo de Cooperação Técnica, a oferta gratuita será expandida para todo o país. Além do atendimento telefônico, a entidade também presta assistência pessoalmente, via e-mail ou chat. São realizados em torno de um milhão de atendimentos por ano.

“O acordo vai possibilitar que qualquer brasileiro possa ligar para o CVV gratuitamente. No Rio Grande do Sul aumentou em quatro vezes a capacidade de atendimento. Um milhão de ligações, pode representar, quatro milhões de brasileiros recebendo apoio”, ressaltou o diretor do CVV Brasil, Antônio Carlos Braga.

SUICÍDIO NO PAÍS - O Brasil está entre os 28 países, de um universo de mais de 160 analisados pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que possui estratégia de prevenção ao suicídio. A taxa no Brasil está bem abaixo a de outros países da América do Sul. Em 2014, foram registrados 10.653 óbitos por suicídio no Sistema de Informação de Mortalidade, taxa média de 5,2 por 100 mil habitantes, praticamente metade da média mundial (11,4 por 100 mil). Na Argentina, a taxa é de 10,3 por 100 mil habitantes; Bolívia (12,2), Equador (9,2), Uruguai (12,1) e Chile (12,2).

A OMS define como meta global, até 2020, a redução da taxa de suicídio em 10%. No Brasil, o índice de suicídios em homens (8,8) foi quatro vezes maior que o de mulheres (2,2) em 2014. Em relação à quantidade de pessoas que cometem suicídio no país, a faixa etária com maior incidência é a de 30 a 39 anos para ambos os sexos, sendo registrados 1.768 suicídios entre os homens e 480 entre mulheres. A rede pública oferece acompanhamento psicológico e psicoterápico, incluindo terapia ocupacional, bem como assistência hospitalar.

Por Fábio Ruas, da Agência Saúde

Fonte: Portal Saúde.

segunda-feira, 13 de março de 2017

Pela primeira vez número de cesarianas não cresce no país

Dados mostram tendência de estabilização desse tipo de procedimento. Ministério da Saúde tem investido em ações para ampliar o número de partos normais na saúde pública e privada


O Ministério da Saúde comemora que pela primeira vez, desde 2010, o número de cesarianas na rede pública e privada não cresceu no país. Esse tipo de procedimento, que apresentava uma curva ascendente, caiu 1,5 pontos percentuais em 2015. Dos 3 milhões de partos realizados no Brasil, 55,5% foram cesáreas e 44,5% partos normais. Considerando apenas partos no Sistema Único de Saúde (SUS), a situação se inverte e o número de partos normais é maior, sendo 59,8% e 40,2% de cesarianas. Em 2016, a tendência de estabilização se mantém com o mesmo índice de 55,5% (dado preliminar).


Nesta semana, o Ministério anunciou as diretrizes de assistência ao para o parto normal que servirá de consulta para os profissionais de saúde e gestantes. A partir de agora, toda mulher terá direito e definir o seu plano de parto que trará informações como local onde será realizado, orientações e benefícios do parto normal. Essas medidas visam o respeito no acolhimento e mais informações para o empoderamento da mulher no processo de decisão ao qual tem o direito. Assim, o parto deixa ser tratado como um conjunto de técnicas, e sim como um momento fundamental entre mãe e filho.


O ministro da Saúde, Ricardo Barros, reforça o compromisso quem a pasta vem assumindo em investir em ações que incentivem o parto normal. “É a primeira vez que o Ministério constrói um documento para incentivar as gestantes a optarem pelo parto normal. A melhoria da qualidade na atenção obstétrica passa, essencialmente, pela mudança no atendimento à mulher durante o parto. A nova diretriz para o parto normal visa mudar uma cultura de cesarianas desnecessárias”, afirmou o ministro.


A estabilização das cesarianas é consequência de uma série de medidas, como a implementação da Rede Cegonha, com investimentos em 15 Centros de Parto Normal; qualificação das maternidades de alto risco; maior presença de enfermeiras obstétricas na cena parto, entre outras. Destaca-se a ação da Agência Nacional de Saúde (ANS) junto às operadoras de planos de saúde com estratégia Parto Adequado.


Em 2016, o Ministério da Saúde publicou o Protocolo Clínico de Diretrizes Terapêuticas (PCDT) para Cesariana, trazendo os parâmetros que devem ser seguidos pelos serviços de saúde. A medida visa auxiliar e orientar os profissionais da saúde a diminuir o número de cesarianas desnecessárias, uma vez que o procedimento, quando não indicado corretamente, traz inúmeros riscos, como aumento da probabilidade de surgimento de problemas respiratórios para o recém-nascido e grande risco de morte materna e infantil.


DIRETRIZES PARTO NORMAL – O Ministério da Saúde pretende reduzir as altas taxas de intervenções desnecessárias como a episiotomia (corte no períneo), o uso de ocitocina (hormônio que acelera o parto), a cesariana, aspiração naso-faringeana no bebê, entre outras. Tais intervenções, que deveriam ser utilizadas de forma parcimoniosa, apenas em situações de necessidade, são muito comuns o que deixou de considerar os aspectos emocionais, humanos e culturais envolvidos no processo. Estas práticas podem colocar em risco a segurança das parturientes e seus filhos ou filhas já que, em muitos casos, não estão de acordo com as melhores evidências científicas. A manobra de Kristeller, em que o útero da mulher é pressionado para tentar auxiliar a expulsão, passa a ser contraindicada.


Entre as novidades está possibilidade do parto normal ser feito pela enfermeira obstétrica ou obstetriz. A experiência demonstra que o envolvimento dessas profissionais tem reforçado o cuidado humanizado. As maternidades também deverão incorporar na assistência: liberdade de posição (cócoras, quatro apoios, de lado, em pé, ajoelhada) durante o parto, dieta livre (jejum não obrigatório), presença de doulas, acompanhante, respeito à privacidade da família e métodos de alívio da dor como massagens e imersão em água. Outras recomendações são o contato pele-a-pele imediato com a criança logo após o nascimento; e o estímulo à amamentação.


CAPACITAÇÃO - Por meio de cooperação com a Universidade Federal de Minas Gerais, o Ministério da Saúde vai capacitar profissionais de saúde em 86 hospitais de ensino que fazem mais de mil partos ao ano e estão nas 27 unidades federadas. Trata-se de um projeto de qualificação da atenção obstétrica e neonatal hospitalar com atividades de ensino, com produção de impacto em toda a rede de serviços da linha de cuidado da saúde da mulher e criança. A medida totaliza o investimento, em quatro anos, de R$ 13,6 milhões.


ÍNDICE DE CESARIANAS NO PAÍS





Por Carolina Valadares, Agência Saúde/MS

Fonte: Portal Saúde.

Brasil bate recorde de transplantes de coração com apoio da FAB


Com o Decreto do presidente foram salvas 162 vidas em 2016. No ano, também foi registrado o maior número de doadores efetivos da história


O Brasil bateu recorde nos transplantes de coração no ano de 2016, com 357 procedimentos realizados. O Decreto nº 8.783, assinado pelo presidente Michel Temer, em junho de 2016, viabilizou aumento de 13% dos transplantes de coração, passando de 5, em 2015, para 46 órgãos transportados, somente pela FAB, ano passado. Somando todos os órgãos transportados pela FAB, houve aumentou de 3.340%, saltando de 5 (antes do decreto) para 172 (coração, fígado, pulmão e rim), após a publicação da lei. O decreto estabeleceu que a Aeronáutica deve manter um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) em solo, à disposição, para qualquer chamado de transporte de órgãos ou de pacientes em aguardo de transplantes no Sistema Único de Saúde (SUS).


Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (9) pelo ministro da Saúde, Ricardo Barros, e pelo presidente da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos, Roberto C. Manfro, no Rio de Janeiro.

“Estamos anunciando o crescimento de 18% dos transplantes, em seis anos, mostrando que a linha crescente é contínua e que, por isso, a cada ano sempre batemos novos recordes. Temos investido e habilitado novos serviços na área, o que nos tem permitido avançar cada vez mais. Nosso objetivo para reduzir as listas de espera, já que temos uma excelente infraestrutura física e técnica, é fazer campanhas de conscientização para que as famílias autorizem a doação de órgãos”, afirmou o ministro da Saúde, Ricardo Barros. 

Durante 2016, também foi registrado o maior número de doadores efetivos da história, tanto em números absolutos quanto na taxa por milhão da população (PMP): foram 2.983 doadores, o que representa uma taxa de 14,6 PMP, número 5% maior em comparação a 2015. Em relação à fila de espera, em dezembro do ano passado, havia 41.042 pessoas aguardando por um transplante, sendo a maior parte delas (24.914) para rim. Já a taxa de aceitação familiar, em 2016, foi de 57% (anos anteriores: 2013 – 56%; 2014 – 58%; e 2015 – 56%). 

Entre 2010 e 2016 houve aumento de 18% no número geral de transplantes, com destaque para quatro órgãos, além do coração: rim (aumento de 18%, passando de 4.660 para 5.492 transplantes); fígado (aumento de 34%, passando de 1.404 para 1.880); medula óssea (crescimento de 39%, saltando de 1.695 para 2.362); e pulmão (crescimento de 53%, passando de 60 para 92). Além disso, registrou-se crescimento de 103% no número de potenciais doadores entre 2010 e 2016, passando de 4.997 para 10.158.

“A associação de trabalho entre a ABTO e o Ministério da Saúde tem potencial para ajudar no encaminhamento das questões que ainda podem ser melhoradas nos transplantes do Brasil, aliando as visões assistenciais e de políticas de alocação e sustentação dos programas”, afirmou o presidente do Conselho Consultivo da ABTO, José Medina Pestana.


TRANSPORTE AÉREO - O Sistema Único de Saúde (SUS) possui acordo de cooperação voluntária e solidária com todas as companhias de aviação brasileiras e a Força Aérea Brasileira (FAB) para transporte de órgãos, tecidos e/ou equipes de retirada ou de transplante. Em junho de 2016, o Governo Federal publicou o Decreto nº 8.783, que garante um avião da FAB à disposição para qualquer chamado de transporte de órgãos ou equipes. Em caso de necessidade, o Ministério da Saúde ainda pode requisitar aviões adicionais à Força Aérea.

Para ampliar ainda mais o número de transplantes no país e viabilizar o transporte de órgãos, os ministérios da Saúde e da Defesa assinaram, em agosto de 2016, um Termo de Execução Descentralizado (TED) no valor de R$ 5 milhões para ressarcir a Força Aérea Brasileira (FAB) dos voos realizados para transporte de órgãos em todo o Brasil.

Além da FAB, a parceria com as companhias aéreas brasileiras resultou no transporte de 1.023 órgãos em 2016. Por meio do compromisso voluntário e solidário entre o Ministério da Saúde e as cias aéreas, os órgãos e equipes médicas são transportados com prioridade de voo e decolagem das aeronaves, nos casos em que houver viabilidade logística e operacional, possibilitando a realização do transplante em tempo viável.


SISTEMA NACIONAL DE TRANSPLANTES – O Brasil possui o maior sistema público de transplantes no mundo. Em 2016, mais de 90% dos transplantes realizados no Brasil foram financiados pelo SUS. Os pacientes possuem assistência integral e gratuita, incluindo exames preparatórios, cirurgia, acompanhamento e medicamentos pós-transplante. O Ministério da Saúde mais que dobrou o orçamento na área de transplantes desde 2008, passando de R$ 453,3 milhões para R$ 942,2 milhões. Com os investimentos em imunossupressores (medicamentos usados para evitar a rejeição do órgão transplantado), o orçamento foi de R$ 2,2 bilhões em 2016.

Durante a apresentação do balanço de transplantes, o secretário de Atenção à Saúde, do Ministério da Saúde, Francisco de Assis de Figueiredo, anunciou que nos próximos dias, a pasta irá publicar portaria que traz incentivos específicos às Centrais de Transplantes. “A portaria com mais recursos vem para responder a um dos nossos desafios. Além disso, vamos juntamente com a ABTO rever as quedas pontuais de transplantes em alguns estados, como Rio de Janeiro e Pernambuco. Há uma tendência de crescimento dos transplantes no país, no entanto, acreditamos que com essas ações, consigamos melhorar os resultados para 2017”, destacou o secretário Francisco. 

A rede brasileira conta atualmente com 27 Centrais de Notificação, Captação e Distribuição de Órgãos, além de 14 câmaras técnicas nacionais, 506 Centros de Transplantes, 825 serviços habilitados, 1.265 equipes de Transplantes, 574 Comissões Intra-hospitalares de Doação e Transplantes, e 62 Organizações de Procura de Órgãos.


MEDULA ÓSSEA – O REDOME possui 4,3 milhões de doadores cadastrados e é o terceiro maior registro de doadores de medula óssea do mundo e o maior com financiamento exclusivamente público. Anualmente, são incluídos mais de 300 mil novos doadores no cadastro. O registro americano conta com quase 7,9 milhões e o alemão, 6,2 milhões, mas ambos foram desenvolvidos e são mantidos com recursos primordialmente privados.

Em 2005, havia 134.781 doadores cadastrados no REDOME, com o registro de 94 transplantes não aparentados de medula. Hoje, são 4.233.272 doadores cadastrados e ano passado foram registrados 381 transplantes não aparentados de medula. Apenas em janeiro deste ano já foram realizados 26 transplantes de medula óssea do tipo não-aparentado.



Por Gustavo Frasão, da Agência Saúde


Fonte: Portal da Saúde.