quarta-feira, 5 de abril de 2017

Toque humano é fundamental para desenvolvimento de bebês prematuros

Todos os anos, cerca de 15 milhões de bebês prematuros nascem no mundo e a maioria passa suas primeiras semanas em unidades de terapia intensiva neonatal (UTINs). Apesar de serem essenciais para o suporte e sobrevivência desses bebês, os ambientes sensoriais da UTIN são dramaticamente diferentes daqueles em que os bebês amadurecem e, portanto, têm impacto no desenvolvimento da organização funcional do cérebro. Com essa visão, uma equipe de cientistas norte-americanos desenvolveu um estudo que apresenta a importância do toque humano para os recém-nascidos prematuros.

Os pesquisadores analisaram 125 bebês, entre prematuros, com idade gestacional de 24 a 36 semanas, e nascidos a termo, entre 38 e 42 semanas. Pouco antes de serem dispensados do hospital, os bebês foram submetidos ao contato com uma rede macia de 128 eletrodos, que registrava como seus cérebros respondiam a um sopro suave do ar na pele – e os prematuros apresentaram respostas cerebrais mais reduzidas ao estímulo. 

O resultado reflete o modo como os bebês foram acostumados com o contato físico: os que nasceram a termo tiveram mais tempo com os pais e funcionários do hospital do que os prematuros, que passaram um longo período na unidade de tratamento intensivo neonatal. 

“O cérebro tem um prazo para formar suas células, determinado geneticamente. As conexões cerebrais se formam a partir do nascimento do bebê. Esta rede neuronal vai se desenvolver de acordo com os estímulos do cérebro, como o carinho, o afeto e o toque. Então, se ele nasce e já tem o aconchego do colo e vai para a casa dos pais, terá maior possibilidade de desenvolver outras habilidades, como a memorização, a socialização e a linguagem”, explica a neuropediatra Liubiana Regazzoni, presidente do Departamento Científico de Desenvolvimento e Comportamento da Sociedade Brasileira de Pediatria, em entrevista ao jornal O Globo.

Os prematuros, no entanto, nascem quando o cérebro ainda está imaturo e sob o risco de perder neurônios. Desta forma, estão sujeitos a estímulos negativos e invasivos, como a entubação e o isolamento em uma incubadora. Um levantamento recente descobriu que mais de 25% dos bebês nascidos antes de 27 semanas de gestação desenvolvem autismo, em comparação com 1% dos bebês nascidos a termo. Por isso, a pediatra Nathalie Maitre, uma das autoras da nova pesquisa, acredita que os pais devem tomar providências para evitar o isolamento dos filhos prematuros.

“O toque realmente parece fazer diferença. Isso é extremamente encorajador, porque, se você é pai de um bebê na unidade de tratamento neonatal, muitas vezes se sente fora de controle. É importante saber como está fazendo diferença a cada vez que toca em seu filho”, ressalta Nathalie.

Capa do periódico Current Biology (Imagem: Current Biology)
O artigo científico “The Dual Nature of Early-Life Experience on Somatosensory Processing in the Human Infant Brain” foi publicado na segunda quinzena de março pela revista científica Current Biology. Os resultados estão disponíveis em texto completo para os usuários do Portal de Periódicos da CAPES. Para ter acesso, basta inserir o título da pesquisa no campo Buscar assunto ou pesquisar diretamente na publicação, por meio da opção Buscar periódico.


O Current Biology é um periódico geral que publica pesquisas originais em todas as áreas da biologia, junto com um conjunto variado de seções editoriais. Um dos objetivos principais da revista científica é promover a comunicação entre os campos da biologia, tanto por meio da publicação de conclusões de interesse geral de diversos campos, quanto através de artigos editoriais que visam explicitamente informar o público que não é especialista.


Com informações do jornal O Globo

Alice Oliveira dos Santos

Fonte: Portal CAPES.

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