sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Mãe luta pela legalização de remédio à base de maconha em documentário exibido nos cinemas




A luta para amenizar as crises de epilepsia com o uso da Cannabis sativa: Katiele Bortoli 
e a filha, Anny, se transformaram em símbolo da causa

A produção mostra os pontos positivos e negativos de substâncias ilícitas no país


O que uma mãe é capaz de fazer para salvar a vida da filha? Katiele Bortoli, mãe da pequena Anny, de 5 anos, que sofria de epilepsia, enfrentou a medicina e a Justiça para buscar a cura definitiva da doença por meio da substância canabidiol, extraída da Cannabis sativa, nome científico da maconha.

“De onde a canabidiol é extraída? Se fosse no abacaxi, eu poderia utilizá-la. Infelizmente, é na planta Cannabis sativa, e ela é proibida no Brasil. Porém, quando eu vi a possibilidade de tratar Anny, fui atrás. Em dado momento, cheguei a traficar, sim, mas consegui dar mais qualidade de vida para a minha filha”, afirma Katiele, primeira brasileira a ter autorização judicial para usar um produto da Cannabis.

A história da vida de Katiele é contada no filme Ilegal, que teve estreia nacional na quinta-feira (9/10) nos cinemas. A comovente realidade que a mãe enfrentou para tratar as crises de convulsão causada pela epilepsia da filha é contada pelo jornalista paulista Tarso Araújo, diretor do longa.

“A ideia surgiu depois de uma entrevista que fiz com ela. O relato me comoveu muito e quis ajudá-la. A proposta, em nenhum momento, é falar sobre droga, e sim mostrar a história de uma mãe que luta para salvar a vida da filha. Espero que o país estude mais a sério o tratamento medicinal alternativo para certas doenças”, afirma Tarso. A canabidiol (CBD) é um dos 60 componentes que está presente na Cannabis sativa. Ela é utilizada legalmente em mais de 20 estados norte-americanos, porém, no Brasil, o subproduto da maconha é ilegal.

Confira entrevista com a cineasta Núbia Santana, que dirigiu o documentário A pedra do mal, que discute a questão do crack na sociedade brasiliense.

Você não teve medo de ir a bocas de fumo coletar as imagens e informações?

Em alguns momentos, passei por situações complicadas, mas não temia os traficantes nem usuários. Tive um diálogo com ele cara a cara. Você não pode vacilar, enrolar, tem que falar olhando bem nos olhos deles, sem desviar ou titubear. Comecei indo sozinha, sem câmaras ou ninguém da equipe, para estabelecer uma relação de confiança. Sempre levava comigo um DVD do documentário Pra ficar de boa, para mostrar a eles quem eu era e o que realmente queria. Eles me respeitaram como artista.

O Brasil é o país com maior registro de consumo de crack no mundo, segundo estudo da estudo da Unifesp. Por quê?
Não posso dizer em o que acontece em todo o Brasil, mas, em Brasília, notei que muitos dos usuários tem problemas familiares ou financeiros. O que mais me chocou foi perceber que não se restringe a ricos ou pobres. Vi garotos de seis anos viciados, e também grandes empresários, donos de mansões e de empresas. Fiquei impressionada, também, com o estilo de vida dos traficantes. Eles não usam drogas pesadas de jeito nenhum, passando longe de crack ou cocaína, e tratam o usuário como uma marionete. Fui ao encontro de um chefão do tráfico em Brasília, que comanda bocas de fumo em 15 cidades, dentro de um shopping. Quem o vê e não o conhece, nem imagina a figura que está por trás.


Rebeca Oliveira -
Elô Bittencourt - Especial para o Correio Braziliense
 
Assista o trailer do documentário:



Ilegal
Documentário, 12 anos.
De Raphael Erichsen e Tarso Araújo.  
Brasil, 2014, 90 min.

Espaço Itaú 8 (13h, 14h40, 16h30, 20h10, 22h)


FONTE: Correio Braziliense, 9/10/2014


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