segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Rio é o 1º hospital público do país a usar robô em cirurgia

Cirurgia robótica no Hospital Oswaldo Cruz, uma das poucas instituições onde a técnica está disponível em SP
Quase quatro anos após a chegada dos robôs para cirurgia minimamente invasiva em hospitais particulares do Brasil, o Inca (Instituto Nacional de Câncer), no Rio, também terá a tecnologia.

Será o primeiro hospital público do país (e o primeiro fora de São Paulo) a fazer cirurgias robóticas.

A Folha apurou que o robô deve chegar entre janeiro e fevereiro de 2012 no Inca. O instituto confirma que tem projeto para implantação do equipamento no primeiro semestre do ano que vem.


Esse pode ser o primeiro passo para a popularização das cirurgias robóticas, que têm crescido consideravelmente no país, tanto em número de operações quanto em áreas de atuação.

"Quando o robô for para o SUS [Sistema Único de Saúde] e treinarem residentes, aí sim teremos mais cirurgiões especializados. O pessoal mais velho não tem tempo e paciência, não quer parar tudo e estudar fora", afirma Carlo Passerotti, coordenador da cirurgia robótica no Hospital Oswaldo Cruz.

Em 2008, foram feitas cerca de 160 cirurgias robóticas no Brasil. Neste ano, o número chegou a 611. O total de cirurgias em quatro anos está ao redor de 1.700.

Hoje, há apenas quatro robôs no Brasil, todos na cidade de São Paulo: um no Albert Einstein, dois no Sírio-Libanês (sendo um para treinamento) e outro no Hospital Oswaldo Cruz.

Criado para a cardiologia, o robô teve seu uso impulsionado pela urologia, principalmente em cirurgias de câncer de próstata, por causa do difícil acesso ao local.

Hoje, isso se expandiu e o robô é usado também na ginecologia, em cirurgias do tórax, do aparelho digestivo e para retirar tumores da cabeça e do pescoço.

A cardiologia do país também entrou na era do robô. O Hospital Albert Einstein já realiza cirurgias cardíacas robóticas e o Oswaldo Cruz deve fazer o seu primeiro procedimento na área ainda nesta semana, de correção de comunicação interatrial.

NOVIDADES

O lançamento de robôs de outras marcas também deve aumentar o número desse tipo de procedimento.

Especialistas afirmam que modelos do Canadá, Japão e da Alemanha serão lançados dentro de cinco anos, o que deve baratear o custo.

Atualmente, todas as cirurgias robóticas no mundo são feitas com o sistema da Vinci. Seu preço é uma das barreiras para um uso mais amplo --o modelo mais novo pode sair por US$ 2,8 milhões nos EUA.

Para o paciente, a diferença de preço entre uma cirurgia aberta ou laparoscópica varia de R$ 4.000 a R$ 8.000.

Outras novidades que vêm por aí são as novas versões do da Vinci, que incluem console duplo (dois cirurgiões poderão ver imagens do procedimento ao mesmo tempo), marcadores para tumor, que aparecem na tela, e até visualização à distância.

CAUTELA

Apesar dos benefícios da cirurgia robótica, como melhor visualização da área operada, movimentos mais precisos e preservação de órgãos em retiradas de tumor, especialistas pedem cautela.

Nem todos os procedimentos podem ser feitos com robô e nem sempre há relação de custo-benefício para justificar o uso da tecnologia, segundo Sérgio Arap, cirurgião de cabeça e pescoço e gerente médico do Centro Cirúrgico do Hospital Sírio-Libanês.

Há vantagem da robótica quando é difícil chegar ao lugar da cirurgia, como reto, cólon, pâncreas e fígado, para citar alguns. "Em câncer de laringe, é possível colocar as pinças do robô pela boca e remover o tumor sem cortes no pescoço e na mandíbula."

Na cardiologia, o cirurgião cardíaco Robinson Poffo, do Hospital Albert Einstein, afirma que uma vantagem é não abrir o peito do paciente.

"O que muda é o equipamento, o acesso e o impacto na evolução do paciente. Para fazer a ponte de safena, não precisa abrir o osso do tórax e esperar cicatrizar, o que pode levar até 60 dias."

Arap afirma ainda que hoje há muito marketing da cirurgia robótica, principalmente nos EUA.

"Lá há publicidade de cirurgias robóticas que não trazem vantagem nenhuma, como a retirada da tireoide, na qual se faz um corte maior do que é feito hoje. Por isso precisamos de protocolos de pesquisa para comparar as técnicas sem conflito de interesses da indústria."

MARIANA VERSOLATO

de São Paulo


FONTE: Folha.com, 5/12/2011

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